Oscar 2008 - Parte 4

Thank you very much
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Uma pequena frase muda que mudou a noite. Está certo que ninguém gosta de discursos gigantescos, mas o limite de tempo imposto estava ridículo. Até que o apresentador Jon Stewart trouxe Markéta Irglová de volta ao palco. Em um dos discursos mais bonitos da noite, daqueles que as pessoas praticam no banho com a embalagem de xampu, Markéta falou tudo o que tinha direito[1] e que não pode falar antes, porque Glen Hansard, seu companheiro no prêmio de melhor canção original, havia estourado o limite.
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E se Enchanted, com três indicações nessa categoria não levou, já dá para perceber que o clima não era chuvoso só do lado de fora do Kodak Theatre. Mas embora muitos não tenham ganhado nada, vários ganharam pouco. Em 24 categorias, 17 filmes premiados. Em uma festa de piadas boas e não mais que isso, os prêmios se dividiram de maneira justa, mas até o blogueiro oficial da Academy sentiu falta de animação.
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Quem não levou? Além da falta muito sentida de filme como 300, alguns filmes merecedores saíram só com a participação. Across the Universe, American Gangster, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, I’m not There, Le Scaphandre et le Papillon, entre muitos outros que mereciam um pouco de glória. Mas não é possível agradar a todos.
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Aos felizes vencedores. Juno estava concorrendo apenas nas categorias ditas grandes. Mas, embora humilde, o filme não é qualquer coisa. Diablo Cody ficaria feliz só com a piadinha no início da festa e a badalação, mas agora seus roteiros estarão super valorizados. Palmas para o melhor roteiro original!
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Outro filme que prometia muito, mas estava somente na companhia de pesos pesados, era Atonement. Vencedor de melhor trilha original, o filme recebeu sete indicações e passou meio batido. É quase a mesma situação de Michael Clayton. Embora a vitória da atriz coadjuvante Tilda Swinton tenha dado um brilho ao filme, a verdade é que ficou um certo gostinho de derrota. A propósito, eu posso não sou muito boa para essas coisas, mas acho que a Tilda poderia ter feito uma escolha melhor de vestido. Ela é uma mulher muito altiva e não usa isso a seu favor.
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Mas nem todos acham que um é pouco. Elizabeth: The Golden Age, The Golden Compass, Sweeney Todd e Once são os filmes que, se tivessem rosto estariam sorrindo de orelha a orelha, felizes por terem sido lembrados. Todos são ótimos e estar entre os vencedores já é muita coisa. Elizabeth: The Golden Age levou a clássica vantagem dos filmes de época na categoria de melhor figurino, a primeira da noite (e sem o glamour do ano passado). The Golden Compass foi lembrado pelos efeitos especiais, similares, mas melhores, que os de The Chronicles of Narnia, indicado ano passado. Sweeney Todd ganhou pela belíssima direção de arte de Dante Ferretti (o sotaque da esposa dele deveria ganhar como o mais fofo). E, por fim, Once ganhou o já mencionado prêmio de melhor canção original.
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Outro filme que só viu a cor de uma estatueta foi Ratatouille. A aposta dele para melhor longa de animação era praticamente certa, reforçada pelas outras indicações (Persepolis não recebeu nem a indicação de melhor filme estrangeiro, mesmo tendo sido escolhido para representar a França). Se ganhasse em mais alguma seria uma surpresa, mas ficou dentro do esperado.
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Outros filmes que vão levar um único Oscar para casa são aqueles que só tinham uma chance. Ou seja, Freeheld, Peter and the Wolf, Le Mozart des Pickpockets, Die Fälsher e Taxi to the Dark Side ganharam em 100% das categorias em que foram indicados. Uma média de dar inveja a muitos grandes filmes por aí!
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A última categoria de vencedores de um Oscar só é a de Oscar Honorário. Robert Boyle foi indicado na categoria de melhor direção de arte quatro vezes (1960, 1970, 1972 e 1977) e pareceu satisfeito por finalmente ganhar. A comoção não foi tão grande quanto a Ennio Morricone, no ano passado, mas foi uma ótima lembrança da academia.
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Saindo do um e indo para os patos da lagoa. Apenas dois filmes levaram um parzinho de Oscars para brincar com as Barbies: La Môme e There will be Blood. O primeiro ficou mais do que satisfeito. Marion Cotillard quase chorou quando foi anunciado o prêmio de melhor maquiagem, imagine então como ela se sentiu ao ganhar ela mesma o Oscar de melhor atriz. Até a concorrente Cate Blanchett ficou emocionada (ou disfarçou bem, não podemos negar que ela é uma senhora atriz). Já There will be Blood não comemorou tanto assim. Considerado por alguns como o grande favorito da noite, o filme só conseguiu o já certo Oscar de melhor ator para Daniel Day-Lewis (repare que só europeus foram premiados pela atuação) e o prêmio de melhor fotografia. Mas a equipe não pode se dizer surpresa. Depois de perder na categoria de melhor roteiro adaptado (a décima apresentada), era visível que as chances do filme não eram grandes e como na edição (décima quarta) a sorte não foi melhor...
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Por falar em sorte, acho que The Bourne Luckyness seria um título interessante, mesmo que não congruente, para o possível quarto filme da série protagonizada por Matt Damon. Depois de ter ignorado os dois primeiros filmes, a academia se rendeu a The Bourne Ultimatum e sem querer querendo, o filme se tornou o segundo mais premiado da noite. Está certo que edição de som, mixagem de som e edição não estão entre as categorias mais cheias de glamour, brilho e badalação, mas são três Oscar de qualquer jeito! Aproveito para frisar que a edição deveria ser mais valorizada.
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Fechando minha série de posts dedicada ao Oscar 2008: No Country for Old Men. Boa parte dos críticos apostava nesse filme e não ficou desapontada. Ele é realmente ótimo e mereceu. Logo de início, Javier Bardem era uma certeza para melhor ator coadjuvante (início mesmo, sexta categoria da festa). Mas foi depois de melhor roteiro adaptado (décima) que o filme arrancou para não ser mais segurado. Tanto que nem esperaram os irmãos Coen voltarem para a platéia depois da vitória de melhor direção e a cara de paisagem dos dois ao ser anunciado que o filme deles era o melhor foi tida como natural.
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E que venha o Oscar 2009!
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[1] (...) it's just to prove no matter how far out your dreams are, it's possible. And, you know, fair play to those who dare to dream and don't give up. And this song was written from a perspective of hope, and hope at the end of the day connects us all, no matter how different we are.

Oscar 2008 – Parte 3

A cereja do bolo
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Muitos não admitem, mas quando se trata de atuação a torcida nem sempre leva só isso em consideração. Por mais que a Charlize Theron seja uma atriz de talento, ela ganhou muito destaque (e, porque não dizer, o Oscar) por ser linda e parecer feia na tela. Mas o esforço valeu (para ela).
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Na categoria de ator coadjuvante, há o favorito da crítica Javier Bardem. É um caso clássico. Ele já fez diversos papéis excelentes, como em Mar Adentro, e já foi indicado ao Oscar por outro trabalho (no caso, Antes que Anochezca), mas não levou o prêmio para casa. É provável que esse ano ele ganhe essa cobiçada peça de decoração para sua sala de TV, mas, por enquanto, ele não está sozinho. O irmãozinho de Ben, Casey Affleck, também tem sua torcida por causa do irmão; por ser bonitinho; por merecimento; e, talvez, quem sabe, por ter matado o rival de todos os homens, Brad Pitt (na ficção, gente). Já Phillip Seymour Hoffman quer fazer um parzinho e tem a vantagem de ser querido pela academia (além de talentoso). Por último, com um pouco menos de torcida brasileira, o veteraníssimo astro da TV americana, Hal Holbrook, e o astro da TV britânica Tom Winkinson. Não se surpreenda se você não reconhecer a cara do vencedor.
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Mas quando o assunto for melhor atriz coadjuvante, ao menos um rosto você terá que reconhecer. O de uma atriz australiana que aparece todo ano. Não, Nicole Kidman não faz nada que mereça destaque há um bom tempo... Mas Cate Blanchett sim. Aqui ela aparece por sua atuação em I’m not There (Não estou lá) e mais pra frente ela aparece de novo. De coadjuvantes da loira estarão Ruby Dee, também veterana da TV, (espero que ela vá de óculos); a fofurinha Saoirse Ronan (só faltava o José Wilker torcer para ela); a talentosa Amy Ryan; e a eterna White Witch, Tilda Swinton, com sua beleza própria.
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E já que estou falando das mulheres... Cate Blanchett surge novamente (e novamente entre as favoritas) por um papel que quase lhe rendeu o Oscar nove anos atrás, o da rainha Elizabeth I. O problema de Cate é que nessa categoria a briga está feia. Ellen Page, a mais nova, foi uma das atrizes mais elogiadas em 2008, considerada a alma de Juno. Marion Cotillard encarnou Piaf em uma atuação visceral. Laura Linney é querida e está em sua terceira indicação. Já Julie Christie ganhou em 1966, talvez a Academia queira homenageá-la com uma nova estatueta. Sem querer ofender, mas no TV stars here, baby.
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A briga delas pareceu boa? A deles é mais legal. Daniel Day-Lewis quase nunca faz filmes, mas quando faz, faz muito bem. George Clooney e Johnny Depp têm aquele conjunto de beleza, talento e carisma que é a alma da festa. Tommy Lee Jones é o veterano que nunca pode ser desconsiderado, ainda mais esse ano, quando poderia estar concorrendo consigo mesmo se isso fosse permitido, mas a academia preferiu indicá-lo por In the Valley of Elah e não por No Country for Old Men (o que é um pouco suspeito). Viggo Mortensen merece ganhar só por sua cara de mal (acreditem se quiserem), mas talvez isso não seja suficiente.
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Pausa para aviso importante. Chegou o momento de mencionar aquele nosso amiguinho roedor que estava esquecido. Fim da pausa. Mas não é só de homens e mulheres que vive o cinema. É de idéias e trabalho em equipe. Como tudo começa com as idéias, os roteiros devem ser premiados. Aos originais: Ratatouille, confirmando sua posição de grande animação do ano (não garante nada aqui); Juno, o mais elogiado (a única crítica ruim é que chamam o filme de indie, mas esse ruim é relativo); Michael Clayon (sim, esse é o nome original de Conduta de Risco), também um dos favoritos; o divertido Lars and the Real Girl (rezem para um dia chegar ao Brasil); e, por fim, The Savages, o filme com a Laura Linney que não deixa de ter esperanças (chega aqui em março).
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Entretanto, nem todas as idéias precisam ser novas para ser boas. Aliás, aproveitar idéias antigas é sempre uma ótima idéia. Para quem acredita nisso, há a boa briga entre alguns dos favoritos da noite (que também irão se enfrentar em diversas categorias apresentadas nos posts passados e nas que virão). No Country for Old Men, There Will be Blood e Atonement. Perto deles, os elogiados Away from Her (Longe Dela) e Le Scaphandre et le Papillon parecem ser humildes. Não se engane.
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Ah... Faltam só duas categorias. E elas são tão ligadas que vou comentar em conjunto. O responsável pelo conjunto do filme e seu resultado final é o diretor, mesmo que os produtores metam o bedelho. Por isso, os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor geralmente, mas não necessariamente, são dados ao mesmo filme. There will be blood, No Country for Old Men, Michael Clayton e Juno aparecem nas duas categorias, ou seja, têm chances. Atonement, apesar de ter recebido sete indicações ao todo, só aparece em Melhor Filme. Já Le Scaphandre et le Papillon só surge em Melhor Direção (já avisei que o filme não é coisa pouca). Entre os quatro já citados, Michael Clayton, também com sete indicações, é o de menor destaque. E Juno, apesar de trazer sangue novo e ser muito bom não tem “cara de Oscar”. Mesmo essa cara nova que está se formando com prêmios mais polêmicos e para filmes mais dinâmicos (a era dos dramalhões deu uma pausa). Dessa maneira, é provável que a noite de glória seja dos irmãos Joel e Ethan Coen (No Country for Old Men) ou de Paul Thomas Anderson (There will be Blood).
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Os velhinhos da Academia podem surpreender? Podem. Acho até que eles vão tentar, mas, convenhamos, eles já viram bastante sangue em 2007. Eu estou feliz por eles terem dado destaque a tantos filmes bons e merecedores de serem vistos e apreciados. O bom do Oscar é que a indicação vale muito e é lembrada posteriormente com honra. Claro, ganhar dá mais dinheiro em contratos futuros, mas faz parte da brincadeira (ou do cruel show business).

Oscar 2008 - Parte 2

Entre favoritos e azarões
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Aproveitando a deixa do comentário da Fran, coloco aqui duas perguntas que me atormentam. Por que o Oscar é sempre na véspera da volta às aulas? E por que a Globo é incapaz de adiantar o Big Brother e sempre corta o início da cerimônia? Sério, eles sempre adiantam a novela por causa do futebol que passa direto e o Oscar é só uma vez no ano! Assim quem não tem TV a cabo ou abomina o Rubens Ewald Filho perde algumas categorias que apareceram no post passado e talvez até algumas desse post.
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Sobre os meus comentários quero acrescentar que acredito sim que, embora os americanos sejam contra legendas, existe a dublagem e, principalmente no caso da animação, isso ajuda muito os filmes estrangeiros. Embora nas categorias mais badaladas os grandes vencedores ainda sejam eles mesmos (afinal é uma festa deles, caramba), há espaço para o que vem de fora e com muito respeito. E se Sen to Chihiro no Kamikakushi (A Viagem de Chihiro) foi o primeiro filme a ganhar em sua categoria, Persepolis não deve perder as esperanças (mas Ratatoille continua o favorito).
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E já que o assunto é esse, adianto vou falar hoje de mais duas das indicações que o filme recebeu. Aliás, como vem acontecendo há muitos anos (exceto 2004) acredito que o Oscar 2008 não terá um grande filme vencedor de uma quantidade exorbitante de prêmios, mas vários filmes com três, quatro prêmios e será nas categorias técnicas que eles vão conseguir vantagem numérica uns sobre os outros.
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Para tirar Ratatoille do caminho, começo com uma categoria que ninguém entende direito, nem os próprios votantes. Quando se trata de mixagem de som, os filmes mais barulhentos têm vantagens. Nesse caso, os robôs de Transformers parecem ter vantagem, mas The Bourne Ultimatum e No Country for Old Men não estão muito atrás. E, além do ratinho, há 3:10 to Yuma (Os Indomáveis) correndo por fora.
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A outra categoria de som (edição de som), onde a Paris animada de Brad Bird também mostra a cara, mantém os mesmos concorrente, trocando apenas 3:10 to Yuma (que tem apenas duas indicações e poucas chances) pelo “classudo” There will be Blood (Sangue Negro), que pode não ter muitas chances por aqui, mas que, sem dúvida, será premiado em alguma das suas 8 indicações.
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Abandonando o som, entramos na parte visualmente artística da festa. E é na categoria Direção de Arte (quase categoria de melhor cenário) que outros grandes nomes da noite finalmente aparecem. Além dos já mencionados There will be Blood com seu Novo México sombrio e Atonement com sua Inglaterra verde/devastada, há o bem cuidado The Golden Compass com seu belíssimo universo paralelo (assista para relaxar e sem preconceitos), os Estados Unidos de 1970 de American Gangster (O Gângster) e a terrível Fleet Street londrina de Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street. A minha preferência vai para o trabalho dos já premiados Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo (Sweeney Todd), mas creio que pode haver surpresas (acho que os velhinhos se divertem vendo as pessoas perderem as apostas).
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E já que a minha preferência por Sweeney Todd é declarada, parto para outra de suas três categorias. Junto com seus trapinhos estão quatro belezas de época concorrendo a melhor figurino. La Môme (chamada La Vie en Rose dia 24 e Piaf: Um Hino ao amor nos cinemas brasileiros), Across the Universe, Atonement e Elizabeth: The Golden Age (Elizabeth: A Era de Ouro). Ano passado, os figurinos foram apresentados ao vivo no palco, o que foi uma mudança muito positiva e mostrou como as pessoas podem se maravilhar com as roupas (e o trabalho de Milena Canonero em Marie Antoinette estava realmente perfeito)! Espero que façam o mesmo esse ano.
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Mas o figurino sozinho não adianta. Precisa da maquiagem para complementar o trabalho. As regras da academia para que um filme possa concorrer nessa categoria são rigorosas e exigem algum tipo de inovação (tanto que, em 2004, a segunda parte de The Lord of the Rings nem foi indicada). Como sempre, nesse ano são três concorrentes. La Môme, Norbit (a única comédia escraxada da noite) e Pirates of the Caribbean: At World's End (Piratas do Caribe: No Fim do Mundo). Esse último, claro, é o favorito, embora a Academia não goste de seqüências e nem de excesso de publicidade (vide as medidas tomadas na época das continuações de The Matrix).
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Outra categoria com apenas três concorrente é a de efeitos visuais. E esse ano a briga está acirrada. Com menos chances está o trabalho muito bem feito de The Golden Compass e lutando com bombas de canhão e socos de aço estão Transformes e Pirates of the Caribbean: At World's End. Não que esses dois precisem do Oscar para ganhar dinheiro, são blockbusters natos. O outro agradeceria muito, já que a renda não foi exatamente como prevista.
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Voltando para a outra turma de competidores. Fotografia é outra categoria muito mal compreendida pelo público. Em inglês seu nome é cinematography, o que diminui o entendimento errado, mas não aproxima do certo. Pode-se dizer que o que se observa nesse quesito é o trabalho de iluminação, embora a questão seja um pouco mais complicada que isso. Os três grandes nessa categoria são Atonement, No Country for Old Men e There will be Blood. Aparecendo na mídia graças à indicação estão o já famoso The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford) e a parceria franco-americana Le Scaphandre et le Papillon (O Escafandro e a Borboleta).
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Finalizando as categorias de hoje, uma que deveria ser considerada uma das mais importantes (Eisenstein que o diga), mas que só é valorizada por quem é do meio. Na categoria de melhor montagem estão o favorito No Country for Old Men, os badalados There Will be Blood e The Bourne Ultimatum e as surpresas Le Scaphandre et le Papillon e Into the Wild (Na Natureza Selvagem).
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Entre faroestes, gangsteres (juro que eu não sabia que esse era o plural), guerras (sempre as mesmas) e muito, muito sangue, a próxima parte dos meus comentários para o Oscar terá a presença de muitas estrelas, embora o brilho e as grandezas sejam bem questionáveis. Até breve!

Oscar 2008 - Parte 1

O que fevereiro tem?
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Fevereiro, ao menos por aqui, é o mês do cinema. É a época em que as distribuidoras lançam os filmes que mais fizeram sucesso e/ou chamaram a atenção nos festivais mais importantes (ou mais comerciais, depende da interpretação). E, claro, fevereiro é o mês da maior festa do cinema mundial: a cerimônia do Oscar. Não importa qual a sua posição em relação à Industria Cultural, o Oscar é um grande símbolo, um grande mito, uma grande festa, uma grande premiação. E como esse é o mês do careca dourado, eu me rendo a ele e dedico alguns posts desse humilde blog para comentar os filmes indicados.
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Começando pelos menores. Os curtas. Pouquíssimo vistos, justamente por serem menos comerciáveis dentro dessa estrutura milionária (e praticamente parada devido à greve dos roteiristas), os curtas não deixam de ter sua importância cinematográfica tanto pela sua linguagem quanto pelo fato de serem um dos principais modos de descobrir novos talentos. No dia 24 de fevereiro, três curtas serão premiados.
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Na categoria de documentário são quatro concorrentes estadunidenses e nenhuma surpresa em relação às temáticas. Freeheld tem um casal de lésbicas, uma vai morrer e quer deixar a casa e a pensão para a parceira. La Corona é falado em espanhol, uma tendência forte como já havia previsto o exterminador antes de ser governador, e mostra uma competição de criminosas. Salim Baba é falado em bengali e trata sobre o próprio cinema, mas em um cenário diferente: o norte de Calcutá. Por fim, Sari’s Mother é uma parceria com o Iraque e mostra uma mãe tentando cuidar de um menino de 10 anos prestes a morrer de AIDS.
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Os curtas de animação, por sua vez, são os que mais revelaram talentos nos últimos anos. Os indicados desse ano mostram que animação não é necessariamente para crianças (algo que os animadores estão tentando fazer a tempo, mas que só está tendo um êxito relativo agora) e, principalmente, que não é necessariamente estadunidense já que nenhum (sim, nenhum) dos indicados é da terra do Tio Sam. I met the Walrus é canadense e fala sobre a morte de John Lennon. Do mesmo país veio Madame Tutli-Putli que mostra uma viagem de trem e de auto-conhecimento. Même les Pigeons Vont au Paradis é francês e brinca com a religião e a entrada no paraíso (além de ter pose de favorito). Moya Lyubov é russo e conta a história do envolvimento de um homem com duas mulheres, uma morena e uma loira. Já Peter and the Wolf é uma parceria britânica e polonesa contando uma história russa sobre um menino que mora com o avô e encontra um lobo.
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A tendência de ser uma festa mais mundial que americana continua perceptível na categoria de melhor curta de ficção, com apenas um competidor norte-americano. Obviamente essa ilusão só existe nas categorias menores (o trocadilho fica por sua conta). At Night é uma típica história nova-iorquina com estranhos se encontrando e tudo o mais. Il Suplente é a única participação do cinema italiano na festa (o que não deixa de ser triste) e mostra um professor substituto meio estranho. Le Mozart des Pickpockets é mais uma participação francesa e relata a história de um garoto e três ladrões de carteira. Tanghi Argentini é um filme belga e mescla tango, encontros amorosos e internet com uma boa dose de natal para adoçar. The Tonto Woman, por mais estranho que pareça é um faroeste do Reino Unido filmado na Espanha (para deixar ainda mais clara a referência ao Zorro e porque o cenário é bem mais legal) onde a personagem principal é uma mulher.
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Continuando no cenário internacional, há uma categoria onde, obviamente, não há sombra da bandeira listrada com estrelinhas: Melhor Filme Estrangeiro. Israel, Áustria, Polônia, Rússia e Cazaquistão estão muito felizes por terem selecionado seu filme favorito! O Brasil vai ter que deixar para o ano que vem já que O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias não agradou a Academia. O representante de Israel é Beaufort baseado em um livro sobre um grupo de soldados que participa da retirada do Líbano em 2000. Já o austríaco Die Fälsher (na festa será chamado de The Counterfeiters) é baseado na história real da maior operação de falsários da história feita pelos nazistas em 1936. A segunda guerra também aparece no polonês Katyn, embora esse trate da invasão russa no país. Continuando o ciclo, o representante russo 12 fala sobre 12 jurados que decidem o destino de um homem que matou seu padrasto. Continuando na Rússia, o Cazaquistão, em parceria com a própria Rússia, a Alemanha e a Mongólia, relata a vida de Genghis Khan, que foi escravo e se tornou um grande conquistador de terras (incluindo a Rússia que derrotou tantos outros) no filme Mongol.
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Se até agora tudo o que eu escrevi foi grego, finalmente aparece um nome conhecido e filmes já premiados. Sicko, de Michael Moore, por incrível que pareça, é o único filme na categoria de melhor documentário que não fala de guerra. S.O.S. Saúde, título brasileiro, compara a indústria da saúde americana com a de outras nações, sempre criticando Bush, claro. Já Taxi to the Dark Side (Taxi para a Escuridão, em português) procura fazer uma análise aprofundada nas torturas praticadas no Afeganistão, no Iraque e na Baía de Guantánamo. Menos profundo, mas não menos interessante, é No End in Sight que procura dar um olhar compreensivo sobre as decisões de Bush na ocupação do Iraque. Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience, por sua vez, retrata a guerra no Iraque e no Afeganistão baseando-se nos escritos dos soldados. A mudança de cenário ocorre com War Dance que mostra a vida de crianças em um campo de refugiados na Uganda.
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E já que agora o território do Oscar foi retomado pelos americanos, a categoria de longas de animação se atreve a dar as caras. Embora os desenhos continuem não tão americanos assim. Persepolis (com acento na parte de cá da América) é um filme francês sobre uma menina iraniana (agreço a correção da Alice), sendo que a menina em questão é a própria diretora e a autora dos quadrinhos em que o filme se baseia. E se o filme francês se passa no Irã, o americano se passa na França. Ratatouille foi a animação mais falada e mais rentável de 2007, seguindo a trilha de sucessos de Brad Bird, e conta a história de um ratinho cozinheiro. Alguém me explica porque ratos e animações combinam tanto? Já Surf’s Up (Tá Dando Onda) segue a linha evolutiva da animação digital. Primeiro surgiram os insetos, depois os peixes, depois os animais da floresta e, agora, os pingüins. O do filme, no caso, é um exímio surfista que vai participar de um grande campeonato.
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Uma vez que Ratatoille foi mencionado, não posso esquecer outra de suas cinco indicações (sim, Brad Bird está podendo). E os indicados para melhor trilha sonora são: Michael Giacchino pela França feliz de Ratattoille; Dario Marianelli pelo filme de época inglês Atonement que tem cara de história de Jane Austen, mas não é (o fato dele ter feito a trilha de Pride and Prejudice, o elenco e o nome do filme em português – Desejo e Reparação – ajudam no engano); Alberto Iglesias pelos arabescos musicais e delicados de The Kite Runner; James Newton Howard pelo bem cotado Michael Clayton; Marco Beltrami pelo violento 3:10 to Yuma.
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Mas não é só do conjunto que vive o cinema. Belas canções também têm o seu valor. Nesse aspecto, as animações da Disney fizeram história e, nesse ano, voltam a aparecer, repaginadas, mas voltam. Alan Menken e Stephen Schwartz colocaram três canções de Enchanted (Encantada) na disputa: “Happy Working Song”, “So Close” e “That’s How You Know”. Mais Disney, impossível. Na briga estão “Falling Slowly” de Glen Hansard e Markéta Irglová para o irlandês Once e “Raise it Up”, interpretada por Jamia Simone Nash e Impact Repertory Theater no romântico August Rush (O Som do Coração).
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Bom, por hoje é só. Em breve mais categorias técnicas e é claro que o melhor vai ficar para o final. Só falta apontar uma injustiça. Sweeney Todd: The Damon Barber of Fleet Street não entrou em nenhuma categoria relacionada à música ou som e o filme é simplesmente perfeito nesse quesito.