Coisas soltas...

Rapidinhas Patty
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Tudo que se faz no Twitter é comentar o tempo. Reclamar do frio e da chuva e anunciar que faz sol lá fora – como se as pessoas estivessem ao ar livre.
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Comprei 15 (15!) novelos de lã nesse mês e ainda nem tirei da caixa. Tenho mais 15 no meu “carrinho”. Quero um 100% algodão que é muito lindo e caro... Para bancar, perguntei quem compraria um cachecol. Descobri que, se tudo der errado, farei cachecóis da Grifinória para sobreviver.
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Depois de muito tempo me sentindo péssima – triste, depressiva e acabada – finalmente estou rendendo um pouco mais. A diferença? Acumulei quinhentos mil compromissos para o próximo mês, que começa amanhã.
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Estou sentindo falta de ir ao cinema. Desde A Onda não estreia nada que preste. Alguém já viu À Deriva? Acho que só Bastardos Inglórios poderá me salvar.
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Falando em cinema, a Movie e a SET anunciaram suas capas há um bom tempo... Mas nenhuma das duas chegou às bancas. Vergonhoso. Em outubro, terei duas revistas atrasadas, com a mesma capa e a mesma chamada. Pelo menos é o Brad Pitt.
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Terminei de ler “O Continente” e comecei “O Retrato”. Essa foi a melhor aquisição de livros que já fiz em anos! Detalhe é a quantidade de coisas que tenho pendente para ler... Bom, melhor que estar sem nada!
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Estou adorando essa onda de promoções em sites e livrarias. Tenho uma comprinha relativamente grande nos meus “carrinhos” da Americanas, da Saraiva e do Submarino. Semana passada, a melhor opção era – para variar – no site da Americanas. Agora, é na Saraiva (desconto progressivo é o que há). Só espero que as promoções não acabem antes de eu ter dinheiro.
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Vi no shopping o pôster da Audrey Hepburn que quero comprar para o meu quarto. Quero muito! Espero que fique por lá até eu poder gastar de novo. Estourei as minhas finanças esse mês. Nem sei como eu consegui gastar tanto dinheiro (ok, livros mil nas Livrarias Curitiba e novelos de lã).
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Resolvi participar de um sorteio de uma máquina fotográfica analógica. Como se eu fosse usar... Mas, sei lá, nunca é ruim ganhar algo. Ainda mais algo fofo. E tem bastante coisa fofa no www.osegredodovitorio.com. Detalhe que muita gente que eu conheço também está participando desse sorteio. Nunca vi querer tanto uma máquina analógica.
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Ando valorizando meu lado designer nos últimos dias. Embora eu tenha plena consciência da minha breguice, breguidade, o que for... Sei lá, estou a fim de deixar o mundo mais bonito – uma missão nobre, convenhamos.
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Um mundo mais bonito – a propósito – merece grevistas com faixas melhores. Sinceramente, não sou contra as greves, mesmo quando elas me prejudicam (tanto a dos Correios quanto a dos bancos), acho bastante válido nesse mundo cruel. “Estamos em greve” em vermelho (ou preto) num fundo branco é só um aviso. Queria ver protestos legais e criativos.
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Acho que os ipês são as árvores mais lindas de Curitiba e região (não tem Flamboyant por aqui). Mas eu fico com uma dor de cabeça nessa época do ano em que verdadeiros tapetes de flores ficam nas calçadas (ok, faz algumas semanas já)... E é tão lindo...

Texto sem final...

O criminoso
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“Mas você não sabia?” Era difícil responder. O que exatamente eu deveria saber? Que ele morreu? Bom, isso eu sabia. Que ele aparecia para algumas pessoas em noite de lua nova? Já ouvi boatos. Não, não entendo o porquê da lua nova. Talvez seja isso que falte saber.
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Ela me explicou aquilo que ouviu dos meninos da rua de traz. Ele era mendigo, mas só quando era lua nova. Nas outras noites dormia em cama quentinha, lá pros lados das colônias da italianada. Reza a lenda que ele mesmo era italiano legítimo, mas como nunca abriu a boca... Alguém tentou falar com ele? Isso ninguém sabe. O caso é que parece que ele cometeu um crime lá na Itália e veio fugido para o Brasil. Deixou mulher e uma cambada de filhos.
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O crime, claro, foi um assassinato dos mais cruéis. Ele estava cheio de dívidas por culpa da roleta e do carteado. Quando um dos signores apareceu para cobrar, ele tirou uma faca do bolso e os dois lutaram. A noite era escura. Sem lua e sem estrelas. Estava tudo tomado pelas sombras.
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Quando chegou em casa, viu o sangue nas mãos, na roupa, na boca... Bem, dizem que ele se desesperou. Limpou o corpo, queimou o que vestia e saiu. Afogou seu espírito naquela mesma noite sem luz. Foi a primeira vez que dormiu na rua.
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Assim que amanheceu, decidiu ir embora. Fugir. Queria um lugar onde tivesse patrícios, uma língua não muito diferente e pudesse viver em paz, sem medo de ser pego pela polícia. Não era difícil chegar a uma resposta. Foi primeiro para a Espanha, depois para Portugal e de lá embarcou para o Brasil. Talvez tenha passado em Marrocos, também. As versões variam nesse ponto.
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Chegando no porto, foi atrás de notícias da sua terra e viu que não faziam muita questão da sua volta. A mulher já o odiava porque levaram um monte de coisa de dentro de casa para saldar as dívidas. Os meninos também não estavam muito felizes. Dormiam no chão, os pobrezinhos. A polícia nem procurava direito. Fingia acreditar que ele também havia morrido. Aquele desgraçado tinha muito sangue...
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Na primeira noite, percebeu que aquela terra não era muito mais amena que a sua. Sem lugar para dormir, sem dinheiro no bolso... E em noite de lua nova. Novamente, as sombras preencheram tudo ao seu redor e ele teve que enfrentar a escuridão. Foi terrível. Tão terrível quanto aquela primeira noite. Tão terrível quanto todas as luas novas nesse Brasil seriam. Mal sabia ele que era a sua pena. Dada, não pelos homens, mas por seu próprio espírito que revivia aqueles momentos a cada noite sem lua.
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Suas andanças o levaram a muitos lugares. Conheceu muitas pessoas, mas a nenhuma contou sua miséria. Por fim, acabou por se estabelecer junto a uns amigos que plantavam uva e faziam vinho em São José dos Pinhais. Queria ir mais longe, conhecer o Rio Grande, mas nunca mais teve forças para vagar. Já chamava seu pequeno barraco de casa e não queria abandonar tudo mais uma vez.
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O sofrimento deu a ele vinte anos a mais na cara. Não era um velho, mas como nunca ninguém lhe perguntou a idade, permaneceu com a fama. No fim, achava melhor ser um senhor ativo que um meia-idade acabado. Fazia seu vinho com capricho e o enterrava no quintal para apurar o gosto. Com o tempo, conseguiu alguns clientes cativos.
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As noites de lua nova, no entanto, nunca deixaram de assombrá-lo. Fechava a casa com cuidado já no final da tarde, pegava um ônibus e vagava sempre por um bairro diferente, com roupas velhas e rasgadas. Baixava a cabeça, não queria ser reconhecido. Tinha vergonha do que havia feito, mas estava viciado na escuridão. Doía no fundo da alma passar por aquilo, mas a sensação de gozo que existia não o deixava parar. Como isso acontecia? Nem ele mesmo era capaz de compreender. Precisava se punir. Precisava sofrer. Precisava se livrar daquele mal.
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Até que tudo acabou mais ou menos como começou. Um bando de jovens com um canivete na mão fez uma pergunta que ele não entendeu. Estava confuso, cheio de pensamentos, correu e foi pego. Resistiu à briga, ainda era um homem forte, mas foi subjugado. Perdeu. Sentiu seu sangue quente escorrer. O gosto era bom. Sentiu-se fraco e caiu. Fechou os olhos e decidiu esperar. Talvez, no dia seguinte, pudesse ver melhor o tamanho da ferida. Até que dormiu.
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Quem viu o crime foi uma pirralha que mora nas redondezas. Nem devia estar na rua àquelas horas, mas sabe-se lá o que passa na cabeça dos pais. Ela não parecia muito chocada e sabia alguns detalhes. Só não dizia os nomes dos assassinos. Dizem que o irmão já tem duas passagens na cadeia. Talvez ele fizesse parte do bando.
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Foi uma amiguinha quem primeiro viu o homem vagando pelas ruas escuras depois de morto. Talvez ela também fosse testemunha do crime, mas não admitia. Apenas chorava sem cessar. Algumas velhas acreditaram na história e levaram a menina para a igreja, mas não adiantou nada o que o pastor falou. Agora, além da menina, uma das velhas e o neto adolescente de outra também afirmavam ter visto o mendigo morto andando feito vivo.
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É estranho quanta gente que diz se lembrar dele. Ele não queria conversa e as pessoas também não faziam muita questão. Passava como uma sombra nas noites sem luz. Ao todo umas dez pessoas na cidade já viram o vulto daquele homem, sempre nas noites de lua nova. É provável que esse número cresça nos próximos dias. No lugar onde morava, as pessoas não comentam o caso. Não com gente de fora, pelo menos. Os cochichos estão em todas as esquinas.
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Dois anos se passaram e, embora algumas pessoas ainda se digam atormentadas pelo espírito daquele velho, a história foi esquecida. Às vezes um menino recorda o causo para assustar um coleguinha.
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Aceito sugestões de final. Ah, o texto está sem revisão também (preguiça)...

Texto velho...

Pequenas rabugices
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Chovia lá fora. Na opinião dele, todas as histórias passadas em Curitiba devem começar assim. Mesmo que não chova todo dia. Para ele, é quando chove que a cidade mostra a que veio e é nesse instante que as histórias deixam de ser universais para ser tipicamente curitibanas.
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De qualquer forma, chovia lá fora. Mas a cidade não era mais Curitiba. Ele era mais um curitibano perdido em Florianópolis. Um curitibano que já viu a ponte, já andou no elevador panorâmico do shopping, já visitou a Joaquina, a Praia Mole, os Ingleses e até a Barra da Lagoa. Agora, o tédio pairava no ar.
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Se fosse Curitiba, haveria muito que fazer. Não era uma chuvinha a toa que abalaria a cidade. O pessoal de barriga verde não sabe se divertir fora de temporada. Não sabe agradar turista. Mesmo quando faz sol. Em Curitiba não tem praia, mas tem pelo menos uma sorveteria a cada quatro quadras – sim, ele já contou. Já nesta cidade não tem sorvete bom, nem bares divertidos, nem comércio 24 horas, nem nada que preste.
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Só a chuva lá fora. Ninguém nas ruas.
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Sol! Calor! Quer coisa melhor? Para ela, Floripa era o melhor lugar para se fazer música. Mesmo que o verão não seja eterno. Ela acredita que nesses momentos é que se vive de verdade, em contato com as outras pessoas e toda essa alegria que só o pessoal de Florianópolis tem.
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Nesse dia fazia sol e calor. Mas ela não estava em Florianópolis. Era Curitiba que a surpreendia com o trânsito caótico. Ela já havia passado pela Pedreira, pela Ópera de Arame, pelo Jardim Botânico, pelo Parque Barigüi, por alguns shoppings e até pelo Parque Tanguá. O cansaço era grande.
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Em Florianópolis ela não teria andado tanto. Ela achou incrível como as coisas são distantes em Curitiba. Gente que toma leite quente, não planeja a cidade para os turistas. Imagina quando chove! Se fosse Florianópolis, o trânsito no centro não seria tão estressante e as pessoas saberiam informar melhor onde ficam as coisas. Só nesse dia já havia recebido duas informações erradas. Levou quase uma hora para conseguir voltar.
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O sol brilha forte. Os sorrisos não.
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Apesar desse desencontro, os dois conseguiram se ver. A amizade que começou virtual se tornou um namoro de verdade e eles foram juntos para Porto Alegre onde puderam reclamar juntos da cidade dos outros.