Reflexões de um dia normal...

Fluxos

Eu costumo dizer que escrevo melhor quando estou triste. Mas há alguns dias, quantos nem sei, tive uma vontade imensa de escrever. E era de felicidade. Era tanta felicidade que eu até chorei. Lembra, Vi? O pobrezinho não entendeu nada. Mas foi assim, repentino e infinitamente bonito. Um momento maravilhoso.
Depois disso até escrevi. Mas não sobre aquilo e nem em horas inspiradas. Agora escrevo porque tenho tempo, não tenho trabalho e meus dedos querem se mexer. Querem digitar. Digitar sem serifa, sem formatação de parágrafo, apenas seguir aonde o vento leva. Vento. As plantas se movem na floreira. O sol não incomoda mais. Lembrei que aqui tenho corretor ortográfico. Mas meus dedos estão afiados, não erram (agora elogio e daqui a pouco me arrependo).
Estou lendo um livro de contos brasileiros. Mais um da coleção que a minha vó me deu. É tão gostoso de ler. Antes eu lia um livro sobre Jornalismo de Rádio. Muito bom e muito bem escrito. Agradável principalmente pra mim, afinal, eu gosto do assunto. Mas a leitura não rendia. Peguei esse outro livro na estante hoje e já passei de sessenta páginas. Tem épocas que a gente simplesmente precisa de ficção para alimentar a alma. E quando se trata de contos, a coisa flui de uma maneira incrível.
O céu está bonito lá fora e eu aqui dentro sem poder sair. Dá uma vontade de andar de roller. Duas pessoas já me falaram coisas assim nos últimos dias. E eu adoro sair por aí sobre rodinhas! Sentir o vento na cara, os cabelos voando... Deslizar e forçar as pernas ao mesmo tempo. Muito bom.
Em pensar que a Ana, a menina que trabalha comigo, está ilhada lá em Santa Catarina. Saudades. Ao menos ela não tem que vir trabalhar. Mas eu não queria estar fora de casa nessas últimas semanas do semestre. Com trabalhos para fazer e notas para receber e essa coisa toda. Eu me estresso demais. Ainda bem que já estou de férias da federal. Só tenho as matérias do Cefet. E organizei meu seminário ontem. Acho até que ficou legal.
Agora minha chefa chegou e o fluxo caiu. Quando der, eu posto esse texto.

Bye, bye...

Jornal, suor e lágrimas
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Na última reunião de pauta do Jornal Comunicação – última para quem não fica, diga-se de passagem –, a Rê (nossa editora-chefe, não eu mesma) pediu para cada um falar um pouquinho a respeito de como sua experiência pessoal nesse um ano extra de Comunicação.
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Enquanto as outras pessoas falavam eu pensava no que poderia ser dito por mim. Obviamente esqueci quase tudo na hora. Foi no último segundo que lembrei de pedir desculpas, inclusive. Seria muito indelicado não fazer isso, já que todos estavam vivendo um momento tão final de festa. Enfim. Repito aqui: Desculpas Su por sempre postar logo depois de você e desbancar suas matérias (não posso fazer nada se a minha editoria é mais importante que a sua). Faço um remendo e acrescento agora desculpas para a Iasa pela ajuda nula na Coluna Vestiba e por sempre mandar 500 pautas de cada vez a deixando sem repórteres.
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Continuando. Naquele um minuto que durou sei lá quanto tempo, eu lembrei as linhas gerais daquilo que queria dizer. Mas usei as palavras certas. Entrei para o Comunicação com motivações erradas. Eu me candidatei para a diagramação por medo de não ter cacife suficiente para comandar uma editoria (ainda mais a mais importante de todas). E quando entrei para a editoria em questão, não fui capaz de cativar meus repórteres como eu fui cativada.
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Para o Raphael, eu explicava a editoria de UFPR assim: “é igual Geral, só que mais específica”. O que, pra mim, faz todo sentido. Quando estava na editoria, fiz matérias sobre denúncias feitas por ex-funcionários, competições de arquitetura, coletivas repentinas sobre escândalos, uma nova linha de ônibus, final de greve, personalidades interessantes etc. Muita coisa diferente que acontecia bem debaixo do meu nariz e antes eu não era capaz de ver.
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Eu pegava ônibus sem saber onde descer nem como fazer para voltar. Ligava para as pessoas com os cargos mais absurdos na cara de pau. Conversava com jornalistas que não faziam idéia do que estavam fazendo naquele lugar. Foi um baita exercício. Não exerciciozinho tipo lição de casa. Exercício da profissão, mesmo. Eu estava fazendo aquilo que eu escolhi fazer. Com o suor do meu rosto, com os calos dos meus dedos, com a dor dos meus ombros (sempre ela). Reclamando quase sempre (faz parte do ser jornalístico). Mas sem pedir pra parar.
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Foi por isso que eu disse que queria ser para alguém o que a Cecília foi pra mim. A melhor editora de todos os tempos. Os outros que me desculpem, mas ao lado dela só João Paulo Pimentel (que me fez subir um prédio em construção de salto e com um chapéu maior que a minha cabeça). Acima dela, ninguém. Sem exageros. E podem falar que eu gosto de sofrer. Mas se você fizer isso, eu saberei que você não conhece os prazeres do jornalismo.
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Quando digo que escolhi algo que vai além de uma profissão – um estilo de vida –, a maioria das pessoas vira os olhos e se comporta como se estivesse falando com uma lunática (outros dizem que as verdadeiras profissões são assim mesmo). E é por isso que eu chorei no biarticulado a caminho do Cefet. Ok, não chorei rios de lágrimas, mas estava bem emocionada. Queria ter sentido provocar essa energia em alguém.
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Eu adorava receber um bom texto, mesmo de uma pauta sem graça (obrigada Henrique). Gostava de receber e-mails de repórteres interessados (Samantha e Sharon, vocês tornaram meus dias mais felizes). Odiava esperar sem receber nada em troca (sem citar nomes aqui). Sentia prazer em um texto bem feito (Guilherme, Ellen, valeu mesmo). Adorava quando um repórter queria conversar comigo sobre o processo (Tiago, foi muito bom sentir seu interesse). Ficava tão feliz em me sentir editoramiga (Rodrigo, Sanju Zé dos Matagatu vai dominar o mundo). Peço perdão por aqueles que eu esqueci de mencionar, mas é que eu sempre esqueço alguém importante (verdade).
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A propósito, meu computador vai fazer aniversário na oficina e aqui onde escrevo não tem a porcaria do corretor ortográfico.

Texto Top of Mind...

Os bancos da minha infância
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Quando eu era pequena – pausa para piadinhas – meu tio Alemão me achava muito esperta, afinal, eu nem falava direito e já sabia ler. Isso quem me conta é a minha mãe, já que a minha memória não ajuda nos acontecimentos próximos e ainda menos nos tão distantes.
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O fato é que eu não sabia ler, havia apenas decorado os logotipos de algumas empresas. Assim, quando passava na frente, eu apontava para a placa e falava o nome do lugar. Além da arvorezinha da editora Abril, presente em todas as bancas, eu conhecia todos os bancos de Curitiba.
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E aqui estou eu, muitos anos depois. Um colega distribui uma folha com alguns tópicos e explica que aquilo é uma pesquisa de Top of Mind, ou seja, devo responder com a primeira marca que surgir na minha cabecinha oca. Lá fui eu. Grife: Colcci. Bons momentos em que essas roupas eram baratas e minha mãe levava eu e o meu irmão para escolhermos moletons bonitinhos naquela lojinha minúscula... E por aí vai...
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Até que... Banco: Banestado. Droga! Não existe mais. Pensa outro, Renata. Vejamos... Já sei! O tempo passa, o tempo voa... E a poupança Bamerindus continua numa boa! É a poupança Bamerindus. Dããã. Esse também não existe mais! Ah, quer saber? É Top of Mind, então vai Banestado mesmo.
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No final das contas, meu coleginha ficou feliz com essa aparição inusitada. Para mim, só restou aquele sentimento de nostalgia... Lembranças de um tempo bom em que eu cantava jingles na praia e deixava as pessoas constrangidas sem entender bem o porquê.
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P.S.: É bem coisa de futura designer esse negócio de decorar logos. Não é não?
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P.S.2: Sim, continuo sem corretor ortográfico e com preguiça de reler. Brinquem de Jogo dos 500 erros a vontade!

Errinhos? Onde? Não acho...

Identidade
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Hoje li um texto antigo. Aquele jeito de se dirigir ao leitor, os comentários entre parênteses, alguma coisa naquele jeito de escrever... Eu poderia ter escrito aquilo há cinco dias ou cinco meses. Mas escrevi há cinco anos.
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Deu uma saudade de ser quem eu era. De falar com as amigas na rampa do Ideal. Que Ideal? É Pilares agora. Não, nem isso não é mais. Meu velho colégio agora é Bom Jesus. Acho que vou dar uma passadinha quando tirarem o antigo logo lá da frente e escreverem o novo nome. Aquele tipo experiência dolorida que fazemos por vontade própria. Será que vão me deixar entrar? Aquelas portas nunca estiveram fechadas pra mim...
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Falaram para escrever sobre saudade. Eu sinto saudade de mim às vezes. De conviver comigo. Lembro que uma vez fiz matrícula em um monte de matérias e a Fran falou que eu era louca, afinal, ela reservava um tempo para ela. Pra quê reservar um tempo pra mim? Quem sou eu além da minha faculdade, dos meus trabalhos, das minhas pautas, das minhas matérias?
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A verdade é que eu não sei direito. Passei tanto tempo escondida atrás dessas coisas, que fecho os olhos quando surge uma fresta. Simplesmente não consigo enxergar. Eu sou a irmã boazinha? A irmã má? A filha companheira? A filha ausente? A namorada carinhosa? A namorada ciumente? Ora! Irmã, filha, namorada. Mais paredes, mais rótulos.
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Sou um conjunto disso tudo ou sou algo só meu? Sou criatura limitada? Sou um espírito aberto? Posso criar ou só reproduzir? Posso correr? Posso esticar? Posso gritar? Posso plantar bananeira? São tantas as coisas que não sei fazer que não sei se realmente posso. Não sei quais são meus limites nem minhas possibilidades. Sou tão cega que esqueço o que faço quando saio de mim. Perder o controle é como desmaiar e não como mostrar quem eu sou lá no fundo.
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Já acreditei que estava no vazio profundo da não existência. Mentira. Daquele ponto eu me levantei. Era outra coisa. A falta da voz, do corpo, da vontade e da personalidade é diferente. É a introspecção que não deixa de ser quem eu sou. E também não deixa de me incomodar.
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Na minha irritação constante, o programa sem correção ortográfica agonia e me faz parar. Não de pensar, não de escrever. Só de querer publicar.