Faz um tempão que eu não atualizo esse blog... Nem o outro na verdade...
Bom, se você perdeu a paciência com os meus textos ou com a falta deles (eu prefiro a segunda opção) vá nesse link (http://www.netdisaster.com/go.php?mode=graff&url=http://rerrah.blogspot.com) e divirta-se!!!
Obs.: Tá, eu sei que é atestado de quem não tem mais nada para fazer...
Aluna de terceirão...
Poema Tirado de uma Notícia de Jornal
JOÃO GOSTOSO era Carregador de feira-livre e morava no morro
da Babilônia num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Manuel Bandeira
A Queda do Império Babilônico
Sucessor de Nabucodonosor nasceu em berço de ouro, teve uma vida dedicada a aprender como manter o dinheiro, o império da família, destino que veio como seu próprio nome.
Nos últimos anos de sua vida morou em um lugar curioso, de casas sem jardim, de barracos suspensos, o morro da Babilônia. Um local que nunca sonhou visitar, o pesadelo em sua essência.
Falhou na única missão a ele confiada, era um fracassado, perdeu mais do que possuía, ganhou apenas alcunha, João Gostoso, delicadeza dos novos vizinhos. “O cara aí se acha o rei do Babilonha, só puquê tem nome compricado, se acha o gostoso”, ainda era capaz de ouvir a voz da nojenta criatura vociferando em uma ladeira, do desgraçado morro, na cidade maravilhosa.
Na maravilha da cidade tinha um bar, tinha um bar chamado Vinte de Novembro. Já há muito derrubado de seu pedestal Sucessor é apenas João Gostoso, o rei do morro da Babilônia é ali freguês assíduo. Entra, canta, dança, bebe, bebe álcool e muito, sente a euforia, vive a depressão. Então João Gostoso cansa, cansa como fracassou aquela outra pessoa que habitou anteriormente aquele corpo, simplesmente cansa.
Alguns dias depois mais um indigente é enterrado, um homem, o qual foi encontrado boiando na lagoa Rodrigo de Freitas. Acabou-se assim João Gostoso, padecimento de um homem fraco que caiu e não se levantou.
Nenhuma lágrima rolou no barracão sem número onde morava esse homem, em nenhuma casa sem jardim, em nenhum barraco suspenso no morro da Babilônia pela morte do carregador de feira-livre João Gostoso, nem ali e nem em nenhum lugar.
Texto antigo...
A Prisão
Estou presa nesse lugar, sem jeito de escapar. Presa às pessoas, aos hábitos, ao modo como devo falar, ao meu jeito de ser sempre assim. Estou presa nesse lugar porque presa aqui estou mais livre do que já estive em qualquer local. Provei da liberdade terrível de viajar. A liberdade que me obriga. Obriga ao bom comportamento, ao falar baixo e respeitosamente, sem ligações com minha prisão não sou eu. Sendo o que deveria ser. A liberdade me anula, me torna obsoleta, apenas mais uma, uma qualquer, uma na multidão.
Tudo que quero é fugir dessa prisão. Meus planos não são feitos para esse lugar. Eles incluem uma fuga, quero fugir do mundo e criar outro para mim. Quero fugir da vida que me deram. Quero fugir de mim e reconstruir. Quero construir uma nova prisão, uma definitiva, me encarcerar e nunca mais sair. Vou levar tudo que gosto na atual, junto com minha identidade, a qual ainda será muito alterada. É assim porque quero assim. Nem eu sei. Não me importo, pois é o que eu me sinto impelida a fazer.
A terrível liberdade que sufoca precisa ser enfrentada. Quero que seja logo. Quero que não seja nunca. Soluções, decisões e ações mastigadas e prontas para meu uso são encontradas na prisão. Não quero mais tudo tão fácil. Quero cair, sangrar.
Escrevo em primeira pessoa porque na prisão só vivo comigo mesma. Falo com outros, convivo com outros, mas sou apenas eu. Sei apenas o que eu penso e só da verdade momentânea dos meus pensamentos eu tenho certeza da existência. Existência finita em sem razão óbvia. Existência inútil que me empenho em melhorar. Sem saber porquê. Tento acreditar no que ensinam, mas não consigo. Informações descobertas e comprovadas por outros. Opiniões analisadas sobre pontos de vista cegos. Prisão preparada para me preparar. Preparar para fugir. Fugir para ser novamente presa.
Escrevo porque preciso. Preciso porque sim. Se sim é ou não resposta não importa. Não sei de nada além do que me passa pela cabeça nesse exato momento, mas no momento estou vazia. Cheia da prisão que me sufoca com sua idéia de liberdade estou vazia.
Agora tenho que encarar os afazeres preparados pela prisão para mim. Não posso mais escrever, embora precise. Não posso fazer tudo o que quero. A prisão tem limites. A liberdade não, mas os caminhos para as pequenas coisas são mais longos fora daqui, então paro aqui e não quebro regra alguma.
Tudo que quero é fugir dessa prisão. Meus planos não são feitos para esse lugar. Eles incluem uma fuga, quero fugir do mundo e criar outro para mim. Quero fugir da vida que me deram. Quero fugir de mim e reconstruir. Quero construir uma nova prisão, uma definitiva, me encarcerar e nunca mais sair. Vou levar tudo que gosto na atual, junto com minha identidade, a qual ainda será muito alterada. É assim porque quero assim. Nem eu sei. Não me importo, pois é o que eu me sinto impelida a fazer.
A terrível liberdade que sufoca precisa ser enfrentada. Quero que seja logo. Quero que não seja nunca. Soluções, decisões e ações mastigadas e prontas para meu uso são encontradas na prisão. Não quero mais tudo tão fácil. Quero cair, sangrar.
Escrevo em primeira pessoa porque na prisão só vivo comigo mesma. Falo com outros, convivo com outros, mas sou apenas eu. Sei apenas o que eu penso e só da verdade momentânea dos meus pensamentos eu tenho certeza da existência. Existência finita em sem razão óbvia. Existência inútil que me empenho em melhorar. Sem saber porquê. Tento acreditar no que ensinam, mas não consigo. Informações descobertas e comprovadas por outros. Opiniões analisadas sobre pontos de vista cegos. Prisão preparada para me preparar. Preparar para fugir. Fugir para ser novamente presa.
Escrevo porque preciso. Preciso porque sim. Se sim é ou não resposta não importa. Não sei de nada além do que me passa pela cabeça nesse exato momento, mas no momento estou vazia. Cheia da prisão que me sufoca com sua idéia de liberdade estou vazia.
Agora tenho que encarar os afazeres preparados pela prisão para mim. Não posso mais escrever, embora precise. Não posso fazer tudo o que quero. A prisão tem limites. A liberdade não, mas os caminhos para as pequenas coisas são mais longos fora daqui, então paro aqui e não quebro regra alguma.
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