Imagens de fim de férias...

Eu não sou lá muito fã de férias longas e essas já estavam durando mais do que deviam, mas não se pode negar que certas coisas valem muito a pena...
.

Imagens...

Tenho pensado muito e sobre muitas coisas. Tantas que não dou mais conta de escrever. Não consigo nem escrever as que mais me atormentam. Mas duas imagens traduzem um pouco do que tenho passado. Não tudo, mas cada uma dela valendo por mil palavras já consegue economizar um bocado.
.
A primeira é roubada do fotolog da Gika. E o comentário dela logo abaixo é tão expressivo quanto a foto: “Me ensina como faz isso, bonequinho?”
.
.
A segunda é a imagem que ainda (ainda) não me consome. Mas cuja ansiedade crescente que me provoca vai explodir em breve. Citando a própria J. K. Rowling dessa vez: “In a very short time you will know EVERYTHING!”.
.

Mais um sem revisão...

Caminhos literários
.
No último ano, eu estava pensando em aprofundar meus conhecimentos sobre a geração Beat. Não sei bem o porquê. Talvez porque boa parte das pessoas ao meu redor estava lendo Jack Kerouac, talvez porque quando li alguns clássicos norte-americanos das décadas de 20 e 30 cheguei muito próxima dos beatniks. A questão é que, sem querer, fui para caminhos bem diferentes.
.
Não é a primeira vez que isso acontece comigo. Quando estava extremamente encantada com São Petesburgo apareceram na minha vida uns livros lindos e antigos. Foi assim que os humanistas/renascentistas entraram na minha vida e me ensinaram muitas coisas. Acho que foi uma das épocas que eu mais me dediquei ao aprendizado. Um aprendizado meu, sem provas, sem cobranças. Mas a prova teórica até veio. Três questões que eu nem precisei pensar muito para responder. No final das contas, nem passei naquele vestibular. Mas tive um pouco de orgulho de mim mesma.
.
Entretanto, a minha ficha demorou a cair sobre outro assunto. Um certo professor meu de redação, ao final do ano, fez uma enorme linha do tempo no quadro e começou a colocar todas as escolas literárias que passaram pelo Brasil. Ao final, ele disse: “E agora? Tudo o que poderia ser feito, já foi feito. Vocês conseguem pensar em um estilo diferente para fazer? Não? Pois é. Agora só resta brincar em cima do que já foi feito”. Aquela frase mexeu muito comigo. Existia, então, um limite para a literatura? E eu era incapaz de pensar em um estilo novo. Desisti de procurar e me enfurnei na literatura de fantasia, um gênero que me pareceu tão antigo quanto eterno.
.
Foi recentemente que voltei a pensar nessas questões. É provável que meu afastamento da fantasia tenha me liberado para pensamentos novos, mas ela, em si, tinha as respostas. A literatura começou muito antes daquela maldita linha do tempo. Afinal, a História do Brasil praticamente só começa em 1500. “A Divina Comédia”, por exemplo, foi escrita duzentos anos antes disso. E qual é a idade dos primeiros rascunhos da Bíblia? Ou das pirâmides do Egito e seus hieróglifos? Tantas coisas novas foram criadas naquele espaço de tempo tão pequeno que meu professor representou no quadro-negro. A possibilidade de criação é tão gigantesca que a opressão daquela pergunta feita para um bando de crianças/adolescentes que não entendem nada (ou muito pouco) da possibilidade de criação deles próprios chega a me parecer covardice.
.
Além disso, a literatura não acaba com o fim das possibilidades. Ela é parte da necessidade de expressão da humanidade e enquanto houver gente pensante haverá livros. Mesmo que livros feitos exclusivamente para vender, pois essa não deixa de ser uma motivação válida para a escrita que sempre é derivada da sociedade que a concebeu. Mas esses livros não representam tudo, pois ainda há pessoas que escrevem por prazer.
.
Foi no início do ano que me deparei com Isabel Allende. “A Casa dos Espíritos” deixou em mim a sensação de que nunca havia lido algo tão sensível e agradável antes. Também me lembrou que eu praticamente não conhecia autores latino-americanos. Eu já havia lido um pouco de Gabriel García Marquez, mas aquele contexto de “pruebas” e “dos puntos” e “hasta el día tal” havia me distanciado da leitura por prazer. Afinal, ler um arquivo em PDF no laboratório de informática da faculdade não é algo muito agradável.
.
O semestre, entretanto, trouxe bons ventos. “On the Road” continua a minha espera em alguma prateleira, mas “Cien Años de Soledad” tem seu lugar reservado no meu quarto. Não só ele, mas outros livros realistas e mágicos, românticos e sérios, latinos, americanos, tão distantes e tão próximos desse Brasil em que vivo. O livro é tão gostoso que até sinto vontade de escrever em espanhol, mas isso fica para uma próxima oportunidade, afinal, meu melhor texto nesse idioma é sobre um panda albino que vivia em um zoológico de Barcelona (ou seria Madrid?).
.
Enfim... Ainda há espaço em mim para surpresas literárias. Muito espaço.