Sem sentido...

Humores
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A aproximação da primavera é uma época cheia de contradições. Ao mesmo tempo em que as ruas ficam mais coloridinhas e o sol volta a brilhar em Curitiba (não que a cidade ligue muito para as estações do ano) chega a maldita sinusite[1].
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Isso é só um exemplo geral. Em outros aspectos da minha vida (a qual, no momento e para variar se resume basicamente à faculdade) as coisas também andam extremamente paradoxais (vocabulário chique hoje). Aquilo que eu mais gosto só me desaponta e aquilo que eu não gosto tem me dado alegrias regulares.
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Desde pequena eu me acostumei a perceber que faço escolhas estranhas. A minha pior redação da segunda série (uma bem repetitiva que eu fiz de mal-humor e sem nenhuma atenção) foi a escolhida para ir para o livrinho bimestral de melhores textos. E todos os textos legais que eu escrevi? Bom, eu copiei em um livrinho, ilustrei e dei de presente para a minha vó. Ela gostou. Isso foi o suficiente para mim. Afinal, desde quando as professoras valorizam o esforço? Desde quando os professores valorizam o esforço... Desde quando alguém no mundo valoriza a batalha dos outros? Cada um valoriza a sua própria (quando a tem)... E os outros? Ah, que sejam “susse” e não me incomodem.
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Mas, sabe o pior? Naquele livrinho que eu dei para a minha vó tinha a tal redação que a professora gostou. Mesmo não gostando dela, eu tinha um certo orgulho. Alguém gostava e várias pessoas a leram no livrinho do bimestre (bom, eu, pelo menos, sempre lia o livrinho todo).
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E as lembranças me pegam e me levam para outro lugar de novo... Na verdade, eu queria falar da faculdade. O semestre passado foi muito bom. Eu estava contente comigo mesma. Feliz por ter aprendido tanto com as pessoas que me cercam (até mais do que nas aulas). Aproveitei bem as matérias que fiz. Estava segura. Segura de mim, dos meus amigos, dos meus objetivos. Objetivos de caráter quase matemático, confesso, mas objetivos mesmo assim.
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Comecei a desejar que as coisas se mantivessem assim pra sempre. Acho que é esse o problema. Quando você se dá conta que está tudo bem, algo acontece. Sei lá quem controla isso. O sádico Homer Simpson que a Vanessa e o Maurício estavam discutindo outro dia, talvez. Ou os carinhas do Monty Python (por favor, sem cenas no restaurante). O problema é que eu ando com um péssimo senso de humor e só acho graça quando é com os outros... Ou quando já faz um bom tempo que aconteceu comigo (tipo a história do jogo de futebol que eu tentei interromper e que o Raphael acha tão engraçada).
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Enfim... Eu juro que eu tinha alguma idéia para esse texto, mas esqueci no momento em que comecei a escrever. Talvez seja falta de prática, como me disseram outro dia (o problema é que faz tempo que eu me sinto enferrujada). Então, já que não tenho mais nada a escrever (embora tenha muitas coisas a dizer) fique com uma música que eu ouvi hoje e achei parecidinha comigo[2].
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Magic Words
(Coco Lee)
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I want you to come to me when you're feeling down.
Knowing I can count on you during hard times.
We will find a way but it won't come easy.
When the yearning fades away, do we wanna stay?
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Trying to be strong for you like you're strong for me.
Looking at you holding up so easily.
When I'm having doubts about what I'm feeling
And future worries are darkening my mind
That's when you come around.
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And you just say that magic words and everything is fine again baby.
You just touch me like I love and loving you feels new again... mmm yeah.
Sometimes I can get kinda low and I just wanna walk away (from you).
Then you just say the magic words - oh baby - and I feel the sun shinning down on me again.
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I know I can be a pain to you at times.
I just wanna find a way to compromise.
I gotta learn to deal with you going your way.
And though you can't be here with me sometimes.
I can't wait till you come around.
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And you will say that magic words and everything is fine again baby.
You will touch me like I love and loving you feels new again... mmm yeah.
Sometimes I can get kinda low and I just wanna walk away (from you).
Then you just say the magic words - oh baby - and I feel the sun shinning down on me again.
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You belong to me.
I belong to you.
And the feeling's true.
A sense of security.
I love you baby.
And I know you love me too.
When you say the words, the special words, the magic words...
When you say you love me.
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Say that magic words and everything is fine again baby.
And you just touch me like I love and loving you feels new again... Oh yeah.
Sometimes I can get kinda low and I just wanna walk away.
Then you just say the magic words - oh babe - and I feel the sun shinning down on me again.
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[1] Inflamação dos sinos da face. Tenho orgulho de ser uma das poucas pessoas que entendeu o que realmente a professora de Coral quis dizer naquela aula teórica. Já me defrontei com o raio-x vezes tantas vezes que sou quase especialista no assunto.
[2] Antes que a Vanessa diga qualquer coisa eu reafirmo: Não, não estou apaixonada pelo Harry Potter. Ele é feio.

Estudando Fotografia...









Obs.: No último tópico de "Normal" onde está escrito "grande angular", leiam "tele-objetiva" (thanks to Vanessa).








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Obs.: Mais um texto meu saiu no Comunicação. Tirando alguns detalhes sem muita importância, estou feliz com a minha nova editoria. Para ler, clique aqui.

Sensibilidade enfraquecida...

A Casa
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Ontem eu sonhei com a casa de Itapema. Fazia muito tempo que meus pensamentos não viajavam até lá. Quando acordei, lembrei da primeira vez, aquele sonho estranho... No meu sonho eu acordava e via um rosto na minha frente. Um homem de cabelos, olhos e bigodes castanhos. Parecia vir de uma outra época. Aliás, nada naquele sonho pertencia a uma época definida.
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Não sei bem ao certo quando foi a última vez que eu visitei aquela casa. Eu tinha cinco anos, no máximo. E sonhei com ela muito tempo depois. Aquelas paredes de madeira ora pintadas de branco, ora de verde clarinho, com os rodapés sempre em marrom. Aquela sala quase vazia de móveis, aqueles quartos, aquele quintal ao fundo com uma cerca pequena, também de madeira, que tinha um portãozinho para a casa da vizinha. Vizinha que reclamava quando as crianças (eu, inclusive) brincavam com a mangueira. Ela era também a dona da casa onde estávamos e minha vó alugava sempre aquela mesma casa, não sei bem o porquê, já que ela não gostava da dona...
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Na verdade, não posso dizer que minha vó sempre alugava aquela casa. Não tenho muita certeza sobre quantas vezes fui lá, embora tenha vagas lembranças de retornar no verão seguinte e esperar por um retorno que nunca veio. Bom, veio em sonhos.
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Meu primeiro sonho com a casa de Itapema foi assustador e intrigante. Aquela presença masculina me assustou, mas ele parecia me conhecer a tanto tempo... Eu levantei, andei pela casa relembrando todos os momentos passados ali e percebi que eu já não era eu mesma. Eu havia vivido uma vida muito longa depois daquilo tudo, era mais alta que eu mesma, mais madura que eu mesma, mais consciente de mim que eu mesma... Foi uma sensação nova, diferente, intrigante. Eu era tanto e não sabia como isso tinha acontecido. Então, ele se aproximou e, sem uma única palavra, me guiou novamente até a cama. Eu deitei, olhei mais uma vez nos olhos dele, exatamente como naquele primeiro momento e, com a lembrança daquele choque, eu acordei. Simplesmente acordei.
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Durante muitas noites, eu ansiei por voltar a sonhar com aqueles olhos e esqueci da casa de Itapema. Procurei o dono em minhas lembranças e nunca o encontrei. Procurei o dono em desconhecidos, mas também não obtive sucesso. Algum tempo depois, voltei a sonhar com a casa de Itapema e sonhei algumas vezes desde então. Mas raramente ele está lá. Eu mesma nunca mais me senti como naquele sonho...
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No meu sonho de ontem tive a impressão de tê-lo visto, mas ele não olhou para mim. De longe, ele me pareceu mais jovem e pensei que talvez ele viva de trás para frente. Agora me recordo que eu mesma estava mais jovem nesse sonho que no daquele de tantos anos atrás. Talvez eu nunca chegue àquela idade tão perfeita em seu equilíbrio de corpo, mente e espírito. Talvez meu conforto de olhos brilhantes e aspecto de príncipe (ou de mocinho da novela das seis) nunca chegue a mim. Talvez eu o procure com mais força nos sonhos que na realidade. Às vezes eu penso que já o achei, mas o perdi. Então eu lembro que, no sonho, os cabelos eram mais claros ou que ele não era tão esguio...
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Eu ainda lembro com exatidão daquele rosto com que sonhei há tantos anos. E sei que nunca irei encontrá-lo na realidade. Ele tinha sua própria luz e não precisava de nada além da sua própria existência para se fazer compreendido. Eu mesma não era eu naquele sonho... Espero que ele tenha sonhado a mesma coisa, assim, um dia visitarei a casa de Itapema para lembrar de dias felizes na praia e reencontrarei um velho amigo.