Querido Clint
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Ontem, eu coloquei o despertador pra trabalhar e saí de casa cedo. Você provavelmente não sabe, mas era feriado por aqui. Fui assistir a seu filme na sessão das 11 (da manhã) e, no caminho, fiquei imaginando como seria andar sozinha por um shopping vazio e de lojas fechadas. Felizmente, eu estava errada e mais de vinte pessoas foram ver seu filme comigo. Além disso, a maior parte das pessoas tinha descendência nipônica. Isso me deixou muito feliz, mesmo sabendo do excesso de receptividade desse público (foram eles que lotaram as salas de “Mulan” aqui no Brasil, mesmo sendo uma história chinesa), afinal, não são raros os casos de diretores que acabaram por ofender nações ou povos inteiros com sua visão cinematográfica deles.
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Confesso que achei seu filme muito triste. Mas acredito que, se não fosse desse modo, você não estaria contando a história certa. A minha única reclamação não é culpa sua. Estou acostumada a não precisar das legendas e foi complicado não entender o que os personagens diziam, pois várias falas ficaram sem legenda e nem quero imaginar quantas outras perderam em significado e poesia.
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Reparei que você não mostra o rosto dos soldados americanos nas cenas de batalha. Gosto de pensar que você o fez para dar a entender que aquela pessoa pode ser qualquer pessoa e que você não utilizou desse recurso em “A Conquista da Honra” por ele ser um filme de personagem. Um filme onde o indivíduo se tornar um símbolo é a chave motora da história, chave contra a qual os personagens principais lutam. Mas “Cartas de Iwo Jima” é diferente. É sobre toda a tristeza de todos aqueles homens, de todo um povo. É um filme de símbolos.
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Infelizmente, a possibilidade de você o ter feito para não colocar o público americano contra os seus personagens, devido à identificação, também existe. Ou, talvez, houve algum problema com os atores americanos, que são mais “caros”. Não sei. Prefiro acreditar que sua arte é superior a essas questões e acho a minha teoria do parágrafo anterior perfeitamente plausível. Talvez você tenha tido alguma outra razão, ainda mais bonita.
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No próximo domingo eu poderei, finalmente, depois de tanto tempo, ver o seu rosto. Alguns entendidos não acreditam que suas chances para ganhar algum Oscar sejam altas. É uma pena, eu gosto dos seus discursos. Mesmo assim ainda tenho esperanças de ouvir a sua voz, estou com saudade dela.
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Ontem, eu coloquei o despertador pra trabalhar e saí de casa cedo. Você provavelmente não sabe, mas era feriado por aqui. Fui assistir a seu filme na sessão das 11 (da manhã) e, no caminho, fiquei imaginando como seria andar sozinha por um shopping vazio e de lojas fechadas. Felizmente, eu estava errada e mais de vinte pessoas foram ver seu filme comigo. Além disso, a maior parte das pessoas tinha descendência nipônica. Isso me deixou muito feliz, mesmo sabendo do excesso de receptividade desse público (foram eles que lotaram as salas de “Mulan” aqui no Brasil, mesmo sendo uma história chinesa), afinal, não são raros os casos de diretores que acabaram por ofender nações ou povos inteiros com sua visão cinematográfica deles.
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Confesso que achei seu filme muito triste. Mas acredito que, se não fosse desse modo, você não estaria contando a história certa. A minha única reclamação não é culpa sua. Estou acostumada a não precisar das legendas e foi complicado não entender o que os personagens diziam, pois várias falas ficaram sem legenda e nem quero imaginar quantas outras perderam em significado e poesia.
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Reparei que você não mostra o rosto dos soldados americanos nas cenas de batalha. Gosto de pensar que você o fez para dar a entender que aquela pessoa pode ser qualquer pessoa e que você não utilizou desse recurso em “A Conquista da Honra” por ele ser um filme de personagem. Um filme onde o indivíduo se tornar um símbolo é a chave motora da história, chave contra a qual os personagens principais lutam. Mas “Cartas de Iwo Jima” é diferente. É sobre toda a tristeza de todos aqueles homens, de todo um povo. É um filme de símbolos.
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Infelizmente, a possibilidade de você o ter feito para não colocar o público americano contra os seus personagens, devido à identificação, também existe. Ou, talvez, houve algum problema com os atores americanos, que são mais “caros”. Não sei. Prefiro acreditar que sua arte é superior a essas questões e acho a minha teoria do parágrafo anterior perfeitamente plausível. Talvez você tenha tido alguma outra razão, ainda mais bonita.
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No próximo domingo eu poderei, finalmente, depois de tanto tempo, ver o seu rosto. Alguns entendidos não acreditam que suas chances para ganhar algum Oscar sejam altas. É uma pena, eu gosto dos seus discursos. Mesmo assim ainda tenho esperanças de ouvir a sua voz, estou com saudade dela.
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Até Dirty Harry.
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Beijo,
Renata