In-tranqüilidade...

Eu não sei mais o que está acontecendo. Não entendo mais nada e acho que a culpa é minha. Quase perguntei alguma coisa ontem de noite, mas não quis atrapalhar a tranqüilidade de um desconhecido.
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E eu abri o Word para escrever um post bonitinho sobre a lua tão linda de ontem (um sorriso fino, crescente, mas quase nova) e uma nuvem que acompanhou todo o meu caminho (ela me pareceu um bicho de pelúcia dando um grande salto, metade cachorrinho, metade urso) a medida que anoitecia. Infelizmente está faltando quirera na minha veia poética.

Diálogo filosófico...

A: O que os olhos não vêem, o coração não sente.
B: Mas o coração que não sabe é inseguro.
A: O coração não sabe que existe uma outra verdade.
B: Então esse coração não saiu da caverna.

Texto escrito numa aula de Sociologia...

Motor-Bigorna
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Algum filósofo disse que a vontade move a vida. Não lembro quem foi e não sei bem o que essa pessoa disse, mas eu costumava acreditar que a paixão era o verdadeiro motor. Para mim, era ela que fazia as pessoas seguirem em frente, rumo a algo incerto, mas belo, utópico.
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No momento me considero uma pessoa sem uma grande paixão. Abandonei muitos sonhos, fiquei afastada daquilo que poderia me trazer novos objetivos e continuo seguindo mesmo assim. Estou, praticamente, fugindo de novas paixões. Estou sem motor e há uma força que me empurra para longe dele. Assim eu duvido do próprio caráter de motor da paixão. E, mesmo desse modo, o raciocínio que, há tempos atrás, me fez chegar nessa conclusão continua parecendo lógico.
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Talvez essa vontade enorme, unida ao desejo incontrolável, seja mesmo capaz de mover a vida, de mover, por conseqüência, o mundo. A paixão, entretanto, seria para poucos. Apenas aqueles capazes de realmente querer algo, os fortes, vão poder sonhar e continuar. Afinal, o mundo é para aqueles que podem. Os bons sobreviverão.
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Aqueles que, como eu, não tem mais essa capacidade, já foram engolidos pela força vinda de paixões alheias e se movem por inércia, levados como poeira no vento. São as pessoas que não param, têm força para se manter em pé, mas não são capazes de sobreviver em um mundo tão parado e tão ágil. Elas podem se unir aos parados, desacelerar e morrer ou continuar nesse vendaval, ralando os joelhos, machucando a si mesmas sem descanso, numa luta contra algo que não se sabe o que é.
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Eu estou presa nesse ventilador. Tenho medo de pular e não tenho forças para continuar. Em breve perderei o equilíbrio. Não sei o que terei pela frente. Talvez algum motor chegue até mim e esse texto se torne parte de um delírio passageiro, mas é mais provável que, nessa confusão, um motor acerte a minha cabeça e me faça cair de boca na calçada.